História do Sítio Piranhenga

Sítio Piranhenga
Datado com mais de 200 anos, e uma área de aproximadamente 34 hectares de preservação histórico, cultural e ambienal, o Sítio Pyranhenga conta com um incrível acervo de peças que exalam história e cultura. São imóveis, azulejos coloniais, escadarias e construções hisóricas que levam o visitante a se transportar para uma época em que a vida passava devagar junto com o vai-e-vem das marés.
O primeiro proprietário do local foi o senhor de escravos José Clarindo de Souza, falecido em 2 de julho de 1863. A propriedade foi quase inteiramente construída por mãos escravas restando ainda muitas de suas marcas, como uma senzala próxima às margens do rio Bacanga. Antes de falecer o senhor José Clarindo deixou a posse do Sítio para seu neto, Luís Eduardo Pires.
Luís Eduardo Pires fundou no local uma fábrica de cal (a partir da casca do sarnambi) provocando algumas alterações no Sítio, como transformar a senzala em um depósito para a produção de cal. O cal produzido era levado por ele para ser vendido em outros locais como Manaus (AM) e Belém (PA). Com o lucro das vendas, ele comprava madeira de boa qualidade nesses locais para terminar de construir o Sítio. Diz-se até que as melhores madeiras chegadas ao Maranhão nessa época foram trazidas pelo senhor Luís Eduardo Pires.
Após sua morte em 1939, o Sítio entrou em abandono, ficando sujeito a saques e vandalismos e à degradação da natureza. No entanto, em 1941, um casal sobrevoando a ilha de São Luís, avistara o sítio e decidira comprá-lo. Tratava-se da arquiteta e artista plástica D. Vírginia e seu marido o Jean.
D. Vírginia introduziu no Sítio a arte mosaica restaurando muitas de suas partes e acrescentando caracteristicas novas ao local.
Ela decorou o interior da casa com azulejos encrustados de conchas e de peças de louças que ela mesma quebrava ao ganhar de seus amigos, para confeccionar uma lateral da casa apelidada de “amigos de Virginia”.
Mas a beleza do interior da morada não pára por aí! Em um dos cômodos encontramos peixes e outros animais aquáticos fossilizados em pedras que teriam sido contrabandeadas pelo primeiro morador da casa. Os fósseis possuem milhões de anos. Nas salas majestosas da casa pode-se perceber claramente o estilo colonial, seja no mobiliário brasão do primeiro dono esculpido no encosto das cadeiras de madeira, seja no suntuoso teto de madeira que recobre a casa. Nessas salas podemos encontrar ainda enormes mesas redondas, também de madeira, centro de muitas reuniões militares entre seu primeiro dono e outros militares. As portas da casa são de mesma onipotência, enormes e com um design que refletem aquela época.
A casa conta ainda com uma varanda ampla e decorada exteriormente com azulejos coloniais, uma fonte d’água inativa e uma vista maravilhosa para o rio Bacanga, donde em tardes de céu aberto, acompanha-se o mais bonito pôr-do-sol da ilha de São Luís.
Ao lado de casa há uma capela, comum nas moradas do período colonial, que tem um sino de níquel e bronze banhado em ouro. A capela é toda em estilo do século XVIII revestido por azulejos em alto relevo nas cores azul, amarelo e branco. Dentro da capela, percebemos o altar em estilo barroco que guarda inúmeros santos de diversas providências. Do lado esquerdo da capela existe um púlpito (tribuna de onde o padre antigamente celebrava as missas), suspenso à 1,50m do chão. As paredes internas da capela eram revestidas com os mesmos azulejos que a recobre externamente, mas a ação de saqueadores degradou todo a estrutura. D. Virginia na tentativa de restaurar essa parte da capela refez, em cimento os azulejos porém, veio a falecer, em 2003, antes que pudesse terminar o seu trabalho que permanece inacabado.
A capela ainda guarda os restos mortais do primeiro morador junto de sua neta que morreu aos sete anos de idade e as cinzas de D. Virginia, que pediu para ser cremada e suas cinzas colocadas na capela.
Na propriedade do Sítio podemos encontrar uma senzala onde eram presos os escravos do senhor José Clarindo à noite. É um local de muito respeito pois remonta à época mais cruel de nossa história: a escravidão. A senzala possui paredes feitas de pedra largas e que tinham mais de 5 metros de altura. É um local extremamente pequeno por imaginar a quantidade de pessoas que ali passavam à noite amontoados. O chão era de barro e as paredes só dispunham de pequenos buracos (suspiros) que premitiam a circulação do ar. Imaginem as mulheres com seus filhos, as crianças dormindo no chão frio e sem nenhuma proteção, a mercê de tudo… A senzala fica próxima da casa do primeiro morador o que leva a suspeitar que ele não era um senhor de escravos muito ruim.
O segundo morador quando implantou a fábrica de cal na propriedade transformou o local em um armazém para sua produção de cal, para isso abriu novas entradas no lugar e aterrou o chão. Hoje, nesse local, são realizadas festas, reuniões, casamentos, etc. e ainda serve de inspiração para alguns poetas maranhenses que passam a noite naquele local em busca de inspiração para seus poemas, sentindo as mesmas emoções que aqueles cativos.
Em frente à senzala, há um poço de enorme profundidade utilizado desde a época colonial de onde extrai-se a água diretamente do lençol freático. A água é extremamente saborosa e é usada pelo pessoal que habita e trabalhar atualmente no sítio.
O local é completamente envolto por árvores e animais podendo ser aproveitado para trilhas ecológicas em grupos de no mínimo 20 pessoas. É um passeio pela história de São luís e do próprio Sítio Pyranhenga.
Mas as surpresas do Sítio não terminam po aí! Nas redondezas da área existem pedaços de uma muralha construída pelos franceses durante a invasão holandesa. A muralha possui inúmeros buracos usados para colocar a ponta dos canhões em resistência a invasão estrangeira que ameaçava o domínio francês em São Luís. Mas existe um fato que intriga os historiadores do local, a existência de um poço com dimensões 4,5 X 3,5 m que enche até a “boca” mas não transborda. Ele está localizado exatamente em frente à muralha francesa e foi construído numa área em que toda a área era banhada pelo mar. Os pesquisadores querem saber como eles construíram esse poço com o mar ali e se há alguma passagem por túnel subterrâneo que ligue a muralha até o poço. A estrutura recentemente foi vedada afin de garantir o término da pesquisa.
Atualmente, no Sítio Piranhenga também funciona uma filantropia. Trata-se do CEPROMAR - Centro Profissionalizante do Maranhão – que busca profissionalizar jovens e adultos além de garantir ao término do curso uma bolsa de trabalho em empresas. O Projeto foi fundado pelo Pe. João de Fátima .
O CEPROMAR oferece diversos cursos profissionalizantes. O projeto tenta resgatar os jovens das redondezas das garras da criminalidade que assombra a região. No Projeto, os jovens e adultos passam o dia em aula e assim diminuem o contato com o crime.
A iniciativa não possui apoio governamental sendo sustentada apenas por doações e o apoio de algumas instituições.
Varanda da casa colonial
Entrada da casa colonial
Capela com azulejos portugueses
Escada que leva até a senzala
Senzala e poço de água
Caieira onde se fabricava o cal

Fotos do Sítio Pyranhenga – CEPROMAR